Foi sem querer
Não vi
O chão foi tirado
E cai
O buraco era fundo
Mesmo assim, não percebi
No escuro fiquei
Por tempo que nem sei
Mas acordei
Com uma luz que cegava
Era a vida retornando
E sem forças
Não a alcançava
Aos poucos ela me reparava
E uma fortaleza se criava
Sólida
Consistente
Nada carente.
Arquivo para textos
Fortaleza
Primavera
Primavera chuvosa
Primavera com flores
Primavera revoltosa
Primvera de amores
A rima é simples, mas detalha a primavera como ela está. Tem chuva além do normal, flores com saudades do sol, natureza com saudades do amor.
Amor pela terra!
Amor pelas pessoas!
Amor pela vida!
Que dia – parte 3
Sofia acordou pedindo a Deus para que seu pai esquecesse que ela estava em casa. Final de semana com o pai, e em feriado de eleição era tudo o que ela não queria para aqueles dias de TPM.
Mas fazer o que, já passava das 10 h, e seu pai Luiz foi chamá-la para acompanhá-lo na boca de urna. Luiz sabia que se ficasse rodando os locais de votação com a filha a tira-colo, não levantaria suspeita. E assim, fingindo não saber as intenções de seu pai, Sofia se submeteu a via sacra de visitar os locais de votação.
Em todos os locais os amigos e co-partidários de seu pai faziam graça para a menina, mas ela só pensava “que saco, porque minha Vovi ficou doente logo nesse final de semana”. Por sorte Sofia encontrou alguns amigos da escola, e pode distrair-se alguns minutos do longo dia. Ao final da votação, teve que implorar para seu pai ficar com ela em casa, e não a levar para a contagem de votos..
De volta a casa de seu pai teve que assistir a contagem da votação pela televisão local, pelo rádio e pelo rádio amador de seu pai. Era torturante para aquela menina de apenas 13 anos. Sofia puxou uma cadeira na janela, e ficou apreciando as luzes dos carros que passavam pela avenida. Pode ver os eleitores, que ela considerava normais, passando com alegria pela rua. Alguns conhecidos de seu pai lhe acenavam simpaticamente. Outros nem pareciam estar sabendo da eleição.
O telefone tocou, Sofia correu para atender, mas seu pai já havia atendido num pulo só. Era sua mãe para avisar que a Vovi teria que passar mais aquela noite no hospital, e pediu para Luiz ficar com a filha mais uma noite. Com pressa de liberar o telefone para os correligionários, concordou prontamente, e avisou Sofia de que ela ficaria até o outro dia. Luiz avisou também que a deixaria com mala e tudo na escola pela manhã.
Com aparente decepção nos olhos, Sofia pediu ao pai para usar seu computador. Luiz concordou de pronto, desde que Sofia fizesse a janta para eles. E assim, um miojo foi providenciado para a janta da derrota do candidato de seu pai. Sofia que não tinha fome, e brincou com o macarrão até seu pai liberá-la para sair da mesa. Luiz mal tinha sinalizado para a retirada dos pratos da mesa, e Sofia já estava com o computador ligado e aguardando que ela terminasse de lavar a louça.
Hino à Bandeira Nacional
Salve, lindo pendão da esperança,
Salve, símbolo augusto da paz!
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza da Pátria nos traz.
Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!
Em teu seio formoso retratas
Este céu de puríssimo azul,
A verdura sem par destas matas,
E o esplendor do Cruzeiro do Sul.
Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!
Contemplando o teu vulto sagrado,
Compreendemos o nosso dever;
E o Brasil, por seus filhos amado,
Poderoso e feliz há de ser.
Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!
Sobre a imensa Nação Brasileira,
Nos momentos de festa ou de dor,
Paira sempre, sagrada bandeira,
Pavilhão da Justiça e do Amor!
Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!
Letra: Olavo Bilac
Música: Francisco Braga
Indiginação Cívica
07/09/2009
Dia de respeito ao Brasil. Mas ao invés disso a mídia somente conseguia passar e repassar o vexame ao cantar do Hino Nacional. Aproveitando o assassinato do Hino pela cantora Vanusa, os programas, num pedido de socorro cívico, tentam achar quem soubesse a letra da música do nosso Hino Nacional.
Assim, me vejo obrigada a não publicar a continuação do texto Que Dia, para publicar a letra do Hino Nacional. E como a semana é Cívica, publicarei ainda outros hinos importantes e com toda certeza já esquecidos pela população brasileira.
HINO NACIONAL
Parte I
Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da pátria nesse instante.
Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.
Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!
Parte II
Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!
Do que a terra, mais garrida,
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
“Nossos bosques têm mais vida”,
“Nossa vida” no teu seio “mais amores.”
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro dessa flâmula
- “Paz no futuro e glória no passado.”
Mas, se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!
Letra: Joaquim Osório Duque Estrada
Música: Francisco Manuel da Silva
Viagem
Seu olhar era triste, opaco e sem 1/3 do brilho do pente de brilhantes sobre seu coque a segurar um lindo véu de renda. Sentada na penteadeira de seu quarto, não parecia estar ali, mas permanecia sua beleza refletida pelo espelho. Seus olhos cor de mel, sua boca rosada ao final do fino nariz, seu pescoço longo desnudo, somente com o par de brincos de pérola e brilhantes a combinar com o colar em forma de rede a cobrir seu colo. Havia a muito transpassado para o espelho junto com seu olhar, perdido no nada. O espelho que há muito assistia sua felicidade, desta vez não via o lindo sorriso de Ana pela primeira vez.
Desnuda de todo o aparato daquele casamento indesejado, deixou-se projetar para dentro do espelho, como que em passagem para um mundo onde a felicidade de outrora reinava. A tristeza que seu coração sentia diante do espelho, ali não se sentia. Estaria bloqueado para fora daquele mundo? De sua vida? Um alívio ilusório naquele momento, mas que contentava Ana naqueles minutos que antecediam ao ritual do casamento.
Não acreditava que estava se entregando para um futuro sem vida. Totalmente desprovido de amor, mas enriquecido de acordos outrora realizados por pessoas que não chegou a conhecer. De um lado seu pai que falecera dias após de seu nascimento, do outro, um rei de terras longínquas, pai de seu futuro esposo. Tudo feito para que seu pai garantisse alimentos e moradia para família que estava por deixar na miséria após sua última viagem. Ela era a única mulher entre nove irmãos, todos casados e com situação abastada. Porém, acreditavam todos que o não cumprimento do acordo assinado com sangue por seu pai, levaria todos, os nove, novamente a desgraça.
Sua mãe não queria desagradar à boa sorte. E aquilo parecia um terrível e malfadado conto de fadas. Do espelho podia ver sua mãe à bruxa má, suas cunhadas as aprendizes de bruxa, o príncipe encantado só existia para fazer felizes seus irmãos, e mais nada. Nem um rosto amigo que lhe agradasse a volta. Seu único amigo era o espelho que lhe refugiava neste momento triste. Tudo porque ali não existia infelicidade, má sorte, desesperança, ou qualquer outra coisa que lhe roubasse a alegria do olhar.
Mesmo sem vida no olhar, todos a sua volta apreciavam sua beleza dentro daquela roupa de núpcias. Realmente era lindo, tudo novo e muito branco, enviado por seu noivo abominante. Desde o sapato que usava até a mais simples fita de cabelo foi-lhe enviada. Ana sentia que suas roupas pareciam trapos perto do luxo daquela roupa nupcial. Para ela era uma afronta tudo aquilo, como se não pudesse confeccionar roupas bonitas em tecidos dali mesmo.
Desejava não ter completado seus 13 anos, e não ter se tornado mulher. Pelo pacto, a data do casamento seria nas 3 luas subseqüentes ao seu “dia de mulher”. Esse pacto foi à razão de ter passado o último ano apreensiva, não queria que soubessem que seu “dia de mulher” havia chegado nas 12 luas grandes. Mas há 2 luas, suas mãe viu o sangue em suas roupas, e não pode mais esconder, e também adiar a data que considerava ser a de sua morte.
Adoraria voltar a sorrir com os olhos para o espelho, só para ver a luz dentro deles. Mas ao contrário disso, hoje via escuridão. Um terrível desespero tomou conta dela. Desejava festejar para alegrar sua mãe, mas não, seu coração chorava lágrimas de sangue, como as que assinaram aquele maldito contrato. Seu destino estava transado.
Ainda no espelho a dúvida mostrava o contrário, pois se negando a casar poderia ter um destino melhor para si? Será? Devo fugir? Mudar? Poderia cumprir esse destino em outra vida? Para que adiar? Voltar e enfrentar ainda era a melhor saída. As coisas poderiam mudar, Ana estaria fazendo tempestade em copo d`agua. Quem sabe o monstro abominável de seu futuro esposo, fosse apenas uma fantasia de sua cabeça. Poderia convencê-lo a não ir embora de sua amada terra. Sua beleza serviria para isso? Atingiria tal objetivo? Somente arriscando para saber.
O cair de um pote de porcelana a fez voltar. Saiu do espelho. Aceitou seu destino nessa vida, esperançosa de que haveria mudanças felizes. Assumiu seu compromisso de morte. Realizou o último desejo de seu pai, seus irmãos, e até mesmo de seu esposo abominável. Ana foi resistente até o último suspiro de vida. Fortalecia suas forças refugiando-se no espelho. Mas não foi o suficiente. Meio ano após assumir o compromisso de ouro como desejava o compromisso de sangue de seu pai, Ana faleceu em plena viagem de partida para a longínqua terra de seu esposo. Em seu coração reinava infelicidade, por saber que nunca mais veria o brilho de seu olhar no espelho amigo que teve que deixar para trás. Mudança somente a dela do leito de morte para a última moradia.
Mulher Charme
Maravilhosa
Unica
Leal
Helênica
Esplendorosa
Rainha
Carinhosa
Heroína
Amiga
Risonha
Meiga
Enfim, MULHER!
Casa de Verão
O lugar não era bem uma casa no padrão e nas normas de construção civil, mas no coração de seus moradores era mais que uma casa, era um lar, o lar do verão. Sua construção cheia de falhas, mas muito sólida, e seu formato lembrava um pombal. E assim era chamado carinhosamente por todos. O lugar acalentava o coração de seus moradores de veraneio.
Por seus corredores, escadas e varandas pulsava a alegria das crianças, que soltas brincavam por ali. O pátio sobre a garagem concentrava as brincadeiras, os encontros dos enamorados, e os olhares das mães. Tudo muito fácil para os moradores, bastava um ou dois passos além da porta do apartamento pela varanda coletiva para enxergar o pátio, e vigiar a alegria.
Ao raiar do sol as portas se abriam para somente fechar tarde da noite. Todas as casas mais pareciam uma só, todas voltadas para o coração do prédio. Ninguém podia se esconder nos apartamentos. Todo o prédio se conhecia, e os estranhos ao ninho, em um dia ali já estavam mais de casa que os de casa.
Mãe, manhe, ou tia, eram os nomes mais ouvidos. A cada minuto se escutava um “mãe isso, mãe aquilo”, ou mesmo um “oi tia”. Os manhes vinham seguidos ao choro, antecedidos pelos tombos. Mas a mãe mais próxima era a que socorria os filhos do verão. É…, todas adotavam os filhos do prédio no veraneio. As mães já estavam acostumadas a olhar entre as roupas no varal para ver se o filho era o seu, e ordenar que subisse de preferência sem choro. Afinal eram quedas inofensivas pela presa de não perder a brincadeira.
Entre as brincadeiras mais esperadas a cada verão, era a da temporada de chuvas a mais emocionante. A piscina formada pelas águas da chuva na garagem inferior, com direito a cascata na rampa de acesso, era um atrativo a mais do lugar. As crianças adoravam fugir de seus pais para brincar naquela água, sem se importar com a sujeira, os ratos e os puxões de orelha que lhes esperavam. Nem parecia que o mar estava a poucos metros, e que tinham passado a manhã imersos nele.
Ao anoitecer os pais, que também estavam presentes, juntavam-se na varanda da frente. Ficavam ali jogando conversa fora. As mulheres iam se chegando, aos poucos, com os petiscos e mais cerveja gelada. A cada minuto um grupo de crianças aparecia beliscar a comida para já voltar à correria pelos corredores e escadas.
Soltas a crianças ficavam acordadas até altas horas. Mas quando passava da meia noite os menores iam se chegando, e aconchegando nos colos dos pais. Assim, rapidamente o silêncio reinava na casa do verão. Todavia, não por muito tempo, antes mesmo do sol raiar a leva de “crianças grandes” ia chegando da rua, e tomando conta dos corredores e escadas. As risadas sempre contidas com um “psiu”, alegrava o coração dos pais. E a alegria continuava a pulsar pelas veias daquela grande casa como tinha que ser, durante dia e noite.
( 7º lugar na categoria crônicas do XXV Concurso Internacional de Literatura)
A linda Japinha
Nasceu menina
Japinha
Cresceu gorducha
Mas Japinha
Emagreceu
Como os Japinha
Linda Menina!
Herdou as mãos
Dos Japinha
Lutou com garra e Brilhou
E hoje a Vitória
Da Japinha
A LENDA DE VILA VELHA
Na antiga cidade de pedra composta por formações rochosas impares de arenito, o Parque de Vila Velha, vive um ser de grandeza peculiar.
Esse ser brinca entre as formações rochosas, defendendo Vila Velha como seu lar. Amigo da fauna e da flora lá existente protege cada planta e animal daquele habitat.
Todos que vivem no parque sabem que esse ser carismático os protege, e que é um amigo para todas as horas. Mesmo que o perigo se apresente nas crateras profundas de furnas, de um tamanho indescritível, o ser se arisca e salva seja quem for. E sempre que pode chama seus amiguinhos para se banharem na Lagoa Dourada. As brincadeiras tornam o banho divertido e prazeroso.
Esse ser amigo foi batizado pelos habitantes do parque de Tavarana.
Tavarana vive até os dias de hoje no Parque de Vila Velha entre os rochedos arenosos e as crateras de Furnas, tendo a paz da Lagoa Dourada como refugio. Mas raramente é visto pelos visitantes do parque, por já ter escorregado entre as formações ao tentar salvar um casal em perigo, que subiu sem permissão nas formações rochosas.
Essa aventura deixou uma marca no parque, que é conhecida como a pedra suspensa, pois assim foi colocada pelo Tavarana entre duas formações arenosas para que o casal pudesse salvar-se do perigo eminente de saltar entre as formações. Neste local, onde o ser escorregou no chão liso e foi avistado pelo casal. A aparência de Tavarana deixou o casal perplexo, que com sentimentos de medo e gratidão deixaram o parque contando a todos o ocorrido.
Muitos visitantes vão ao Parque de Vila Velha na tentativa de ver Tavarana, mas todas as tentativas são em vão, já que ele se esconde, afugentado por saber que sua aparência não agradaria essas pessoas.