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Do outro lado da cidade, perdida em uma mansão estava Laura. Laura é a única filha de Joana e Jonas, médicos muito conceituados na capital Arvorence. Ambos estavam de plantão naquele domingo, por conta da eleição mais violenta dos últimos 10 anos. O pronto-socorro estava lotado de pessoas feridas, com escoriações diversas causadas por socos, pontapés e estilhaços. Joana foi chamada por Jonas, que é chefe do PS, para ajudar com os feridos. A briga partidária tinha extrapolado os limites, uma vez que, o partido que estava por perder as eleições havia jogado uma bomba caseira e uma de gás sonífero na delegacia central, e no fórum da cidade. Esse ato deixou 80% do policiamento eleitoral dormindo no ponto, e a cidade foi aterrorizada pelas brigas partidárias.
Já era noite quando Joana ligou para a filha avisando que não chegariam para o jantar. Laura lembrou do começo do dia, quando foi alegremente com seus pais a sala de votação. Assistiu a ambos votar no Sr. Din, e foram fazer o desjejum na padaria preferida da família, em frente ao PS. Seu pai, Jonas, foi o primeiro a terminar, porque tinha que supervisionar o andamento no Pronto–Socorro, porque os atentados já haviam ocorrido. Assim, Laura e Joana ficaram degustando as delicias da padaria por mais 20 minutos.
Os poucos minutos em que ficaram na padaria, planejaram o dia de domingo com eleição. Voltariam para casa e dariam banho no Bichano, um labrador que Laura ganho em seu aniversário de 12 anos, há dois meses. Feito isso, cuidariam as plantas no jardim, e depois do almoço ficariam jogas no sofá lendo, conversando e vendo filmes antigos. Mas nos mesmos 20 minutos, Jonas voltou à padaria nervoso. Sabendo que estragaria o domingo em família, explicou rapidamente a situação para Joana, e levou suas meninas para a segurança do lar.
Mal tinha lavado Bichano, Joana foi chama das pressas pela empregada. Era Jonas no telefone pedindo ajuda no PS. E assim, o domingo em família desaparecera. Laura teve que brincar sozinha com Bichano e suas bonecas. Almoçou sozinha no deck da piscina, com Bichano a lamber seus pés. Passou a tarde lendo, e escutando música. Sua distração foi conter a raiva que estava sentindo dos políticos e da eleição.
Como teria que jantar sozinha, pediu a empregada para que não fizesse nada para ela. Laura subiu para seu quarto, ligou o computador e foi se refugiar na página da escola, na tentativa de que alguém estivesse online no chat. Não achando ninguém a primeira vista, deixou o computador ligado e foi tomar um banho, para que ninguém visse suas lágrimas de ódio por mais um dia que perdeu para a profissão dos pais.
… continua …

