Viagem

Seu olhar era triste, opaco e sem 1/3 do brilho do pente de brilhantes sobre seu coque a segurar um lindo véu de renda. Sentada na penteadeira de seu quarto, não parecia estar ali, mas permanecia sua beleza refletida pelo espelho. Seus olhos cor de mel, sua boca rosada ao final do fino nariz, seu pescoço longo desnudo, somente com o par de brincos de pérola e brilhantes a combinar com o colar em forma de rede a cobrir seu colo. Havia a muito transpassado para o espelho junto com seu olhar, perdido no nada. O espelho que há muito assistia sua felicidade, desta vez não via o lindo sorriso de Ana pela primeira vez.

Desnuda de todo o aparato daquele casamento indesejado, deixou-se projetar para dentro do espelho, como que em passagem para um mundo onde a felicidade de outrora reinava. A tristeza que seu coração sentia diante do espelho, ali não se sentia. Estaria bloqueado para fora daquele mundo? De sua vida? Um alívio ilusório naquele momento, mas que contentava Ana naqueles minutos que antecediam ao ritual do casamento.

Não acreditava que estava se entregando para um futuro sem vida. Totalmente desprovido de amor, mas enriquecido de acordos outrora realizados por pessoas que não chegou a conhecer. De um lado seu pai que falecera dias após de seu nascimento, do outro, um rei de terras longínquas, pai de seu futuro esposo. Tudo feito para que seu pai garantisse alimentos e moradia para família que estava por deixar na miséria após sua última viagem. Ela era a única mulher entre nove irmãos, todos casados e com situação abastada. Porém, acreditavam todos que o não cumprimento do acordo assinado com sangue por seu pai, levaria todos, os nove, novamente a desgraça.

Sua mãe não queria desagradar à boa sorte. E aquilo parecia um terrível e malfadado conto de fadas. Do espelho podia ver sua mãe à bruxa má, suas cunhadas as aprendizes de bruxa, o príncipe encantado só existia para fazer felizes seus irmãos, e mais nada. Nem um rosto amigo que lhe agradasse a volta. Seu único amigo era o espelho que lhe refugiava neste momento triste. Tudo porque ali não existia infelicidade, má sorte, desesperança, ou qualquer outra coisa que lhe roubasse a alegria do olhar.

Mesmo sem vida no olhar, todos a sua volta apreciavam sua beleza dentro daquela roupa de núpcias. Realmente era lindo, tudo novo e muito branco, enviado por seu noivo abominante. Desde o sapato que usava até a mais simples fita de cabelo foi-lhe enviada. Ana sentia que suas roupas pareciam trapos perto do luxo daquela roupa nupcial. Para ela era uma afronta tudo aquilo, como se não pudesse confeccionar roupas bonitas em tecidos dali mesmo.

Desejava não ter completado seus 13 anos, e não ter se tornado mulher. Pelo pacto, a data do casamento seria nas 3 luas subseqüentes ao seu “dia de mulher”. Esse pacto foi à razão de ter passado o último ano apreensiva, não queria que soubessem que seu “dia de mulher” havia chegado nas 12 luas grandes. Mas há 2 luas, suas mãe viu o sangue em suas roupas, e não pode mais esconder, e também adiar a data que considerava ser a de sua morte.

Adoraria voltar a sorrir com os olhos para o espelho, só para ver a luz dentro deles. Mas ao contrário disso, hoje via escuridão. Um terrível desespero tomou conta dela. Desejava festejar para alegrar sua mãe, mas não, seu coração chorava lágrimas de sangue, como as que assinaram aquele maldito contrato. Seu destino estava transado.

Ainda no espelho a dúvida mostrava o contrário, pois se negando a casar poderia ter um destino melhor para si? Será? Devo fugir? Mudar? Poderia cumprir esse destino em outra vida? Para que adiar? Voltar e enfrentar ainda era a melhor saída. As coisas poderiam mudar, Ana estaria fazendo tempestade em copo d`agua. Quem sabe o monstro abominável de seu futuro esposo, fosse apenas uma fantasia de sua cabeça. Poderia convencê-lo a não ir embora de sua amada terra. Sua beleza serviria para isso? Atingiria tal objetivo? Somente arriscando para saber.

O cair de um pote de porcelana a fez voltar. Saiu do espelho. Aceitou seu destino nessa vida, esperançosa de que haveria mudanças felizes. Assumiu seu compromisso de morte. Realizou o último desejo de seu pai, seus irmãos, e até mesmo de seu esposo abominável. Ana foi resistente até o último suspiro de vida. Fortalecia suas forças refugiando-se no espelho. Mas não foi o suficiente. Meio ano após assumir o compromisso de ouro como desejava o compromisso de sangue de seu pai, Ana faleceu em plena viagem de partida para a longínqua terra de seu esposo. Em seu coração reinava infelicidade, por saber que nunca mais veria o brilho de seu olhar no espelho amigo que teve que deixar para trás. Mudança somente a dela do leito de morte para a última moradia.

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Mulher Charme

Maravilhosa
Unica
Leal
Helênica
Esplendorosa
Rainha

Carinhosa
Heroína
Amiga
Risonha
Meiga
Enfim, MULHER!

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Casa de Verão

O lugar não era bem uma casa no padrão e nas normas de construção civil, mas no coração de seus moradores era mais que uma casa, era um lar, o lar do verão. Sua construção cheia de falhas, mas muito sólida, e seu formato lembrava um pombal. E assim era chamado carinhosamente por todos. O lugar acalentava o coração de seus moradores de veraneio.

Por seus corredores, escadas e varandas pulsava a alegria das crianças, que soltas brincavam por ali. O pátio sobre a garagem concentrava as brincadeiras, os encontros dos enamorados, e os olhares das mães. Tudo muito fácil para os moradores, bastava um ou dois passos além da porta do apartamento pela varanda coletiva para enxergar o pátio, e vigiar a alegria.

Ao raiar do sol as portas se abriam para somente fechar tarde da noite. Todas as casas mais pareciam uma só, todas voltadas para o coração do prédio. Ninguém podia se esconder nos apartamentos. Todo o prédio se conhecia, e os estranhos ao ninho, em um dia ali já estavam mais de casa que os de casa.

Mãe, manhe, ou tia, eram os nomes mais ouvidos. A cada minuto se escutava um “mãe isso, mãe aquilo”, ou mesmo um “oi tia”. Os manhes vinham seguidos ao choro, antecedidos pelos tombos. Mas a mãe mais próxima era a que socorria os filhos do verão. É…, todas adotavam os filhos do prédio no veraneio. As mães já estavam acostumadas a olhar entre as roupas no varal para ver se o filho era o seu, e ordenar que subisse de preferência sem choro. Afinal eram quedas inofensivas pela presa de não perder a brincadeira.

Entre as brincadeiras mais esperadas a cada verão, era a da temporada de chuvas a mais emocionante. A piscina formada pelas águas da chuva na garagem inferior, com direito a cascata na rampa de acesso, era um atrativo a mais do lugar. As crianças adoravam fugir de seus pais para brincar naquela água, sem se importar com a sujeira, os ratos e os puxões de orelha que lhes esperavam. Nem parecia que o mar estava a poucos metros, e que tinham passado a manhã imersos nele.

Ao anoitecer os pais, que também estavam presentes, juntavam-se na varanda da frente. Ficavam ali jogando conversa fora. As mulheres iam se chegando, aos poucos, com os petiscos e mais cerveja gelada. A cada minuto um grupo de crianças aparecia beliscar a comida para já voltar à correria pelos corredores e escadas.

Soltas a crianças ficavam acordadas até altas horas. Mas quando passava da meia noite os menores iam se chegando, e aconchegando nos colos dos pais. Assim, rapidamente o silêncio reinava na casa do verão. Todavia, não por muito tempo, antes mesmo do sol raiar a leva de “crianças grandes” ia chegando da rua, e tomando conta dos corredores e escadas. As risadas sempre contidas com um “psiu”, alegrava o coração dos pais. E a alegria continuava a pulsar pelas veias daquela grande casa como tinha que ser, durante dia e noite.

( 7º lugar na categoria crônicas do XXV Concurso Internacional de Literatura)

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A linda Japinha

Nasceu menina
Japinha
Cresceu gorducha
Mas Japinha
Emagreceu
Como os Japinha
Linda Menina!
Herdou as mãos
Dos Japinha
Lutou com garra e Brilhou
E hoje a Vitória
Da Japinha

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A LENDA DE VILA VELHA

Na antiga cidade de pedra composta por formações rochosas impares de arenito, o Parque de Vila Velha, vive um ser de grandeza peculiar.
Esse ser brinca entre as formações rochosas, defendendo Vila Velha como seu lar. Amigo da fauna e da flora lá existente protege cada planta e animal daquele habitat.
Todos que vivem no parque sabem que esse ser carismático os protege, e que é um amigo para todas as horas. Mesmo que o perigo se apresente nas crateras profundas de furnas, de um tamanho indescritível, o ser se arisca e salva seja quem for. E sempre que pode chama seus amiguinhos para se banharem na Lagoa Dourada. As brincadeiras tornam o banho divertido e prazeroso.
Esse ser amigo foi batizado pelos habitantes do parque de Tavarana.
Tavarana vive até os dias de hoje no Parque de Vila Velha entre os rochedos arenosos e as crateras de Furnas, tendo a paz da Lagoa Dourada como refugio. Mas raramente é visto pelos visitantes do parque, por já ter escorregado entre as formações ao tentar salvar um casal em perigo, que subiu sem permissão nas formações rochosas.
Essa aventura deixou uma marca no parque, que é conhecida como a pedra suspensa, pois assim foi colocada pelo Tavarana entre duas formações arenosas para que o casal pudesse salvar-se do perigo eminente de saltar entre as formações. Neste local, onde o ser escorregou no chão liso e foi avistado pelo casal. A aparência de Tavarana deixou o casal perplexo, que com sentimentos de medo e gratidão deixaram o parque contando a todos o ocorrido.
Muitos visitantes vão ao Parque de Vila Velha na tentativa de ver Tavarana, mas todas as tentativas são em vão, já que ele se esconde, afugentado por saber que sua aparência não agradaria essas pessoas.

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Noite Feliz

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Noite feliz, Noite feliz,
O Senhor, Deus de amor,
pobrezinho nasceu em Belém.
Eis na lapa Jesus, nosso bem.
Dorme em paz, oh Jesus.
Dorme em paz, oh Jesus.

Noite de paz! Noite de amor!
Tudo dorme em redor,
entre os astros que espargem a luz,
indicando o Menino Jesus.
Brilha a estrela da paz.

Noite de paz! Noite de amor!
Nas campinas ao pastor,
Lindos anjos mandados por Deus,
Anunciam a nova dos céus;
Nasce o bom Salvador!

Noite de paz! Noite de amor!
Oh, que belo resplendor
Ilumina a o Menino Jesus!
No presépio, do mundo eis a luz,
Sol de eterno fulgor!

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Jingle Bells

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Hoje a noite é bela
Juntos eu e ela
Vamos a capela
Felizes a rezar.
Ao soar o sino
Sino pequenino
Vem o Deus-Menino
Nos abençoar.
Bate o sino pequenino, sino de Belém
Já nasceu o Deus menino para o nosso bem!
É Natal, é Natal sininhos de luz!
Replicai, badalai que nasceu Jesus!
Paz na Terra pede o sino alegre a cantar!
Abençoe, Deus Menino sempre o nosso lar!

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Natal das Crianças

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Natal, Natal das crianças
Natal da noite de luz
Natal da estrela-guia
Natal do Menino Jesus

Blim, blão, blim, blão,
blim, blão…
Bate o sino da matriz
Papai, mamãe rezando
Para o mundo ser feliz
Blim, blão, blim, blão,
blim, blão…
O Papai Noel chegou
Também trazendo presente
Para a vovó e o vovô

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Bate o Sino

dsc01223Bate o sino pequenino
Sino de Belém
Já nasceu o Deus menino
Para o nosso bem
Paz na Terra pede o sino
Alegre a cantar
Abençoe Deus menino
Este nosso lar
Hoje a noite é bela
Juntos eu e ela
Vamos à capela
Felizes a rezar
Ao soar o sino
Sino pequenino
Vai o Deus menino
Nos abençoar.

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Estrela guia

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Quem é que nunca esperou
Numa noite assim tão bela
Coração cheio de sonhos
Sapatinho na janela

Quem é que nunca chorou
Quando vê o bom velhinho
Mesmo que fosse o papai
Todo cheio de carinho

Quem é que nunca pediu
Por um mundo diferente
Pra trazer felicidade
Embrulhada num presente

Nessa noite que ele vem
Todo mundo é uma criança
Toca o sino de Belém
Enchendo o ar de esperança

Nessa noite tão feliz, vem me dar a tua mão
Hoje o coração me diz, vem cantar essa canção
Vem brilhar Estrela guia, ilumina todo o céu
Traga o amor e a harmonia, com o meu Papai Noel

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